Far Away From Home

Bem-vindos de volta.
Já faz um tempinho.
Eu tenho o costume de desabafar com meus amigos sobre as coisas. Independente do que seja, é mais confortável falar com alguém que você sabe que está te ouvindo, ao invés de escrever seus pensamentos num simples diário.
Mas ás vezes, só ás vezes, é preciso voltar as raízes. Principalmente com coisas que, de início, não posso contar pra ninguém. Não porque é um segredo ou algo assim, mas porque as pessoas não ligam. É o velho conto do Palhaço Pagliacci sendo contado de novo. Eu estranhamente estou sempre que aqui para ouvir as pessoas. Mas sei que ninguém se importa com o que eu tenho pra dizer.

Autoestima, de certa forma, é algo muito presente em todas as minhas postagens nesse blog. Todos os meus problemas se resumem a minha (falta de) autoestima. Me sinto substituível, insuficiente. E sei que as pessoas ao meu redor não se importam tanto com a minha existência quanto eu meu importo com a delas. Mas aparentemente isso é algo “esperável” em qualquer relacionamento, certo?
Sabe, algo que eu aprendi de alguns tempos pra cá, é que em qualquer relacionamento, uma pessoa amará a outra mais do que a outra ama ela. De certa forma isso é perfeitamente normal porque é algo fluido – em alguns dias, somos capazes de dar 65% de nós mesmos a alguém, mas este alguém só pode nos dar 35%, e em alguns dias o contrário acontece. É uma versão do “carinho e atenção” que mencionei na postagem anterior (eu acho), mas mais simplificado, bem menos egoísta, e socialmente aceitável. E sabe por que eu sempre sinto que estou dando 99% de mim mesmo às pessoas?

Porque se eu não fizer isso, eu não vou ter mais pessoas. Eu vou ser trocado. Por alguém que ela acabou de conhecer, ou por alguém que voltou a falar com ela, ou por ninguém. Mas de alguma forma, eu vou ser trocado. E por conta disso eu evito mostrar qualquer sinal de fraqueza – falho miseravelmente nisso, sim, mas acredite, seria pior se eu não tentasse.

Não se preocupe, em algumas semanas as coisas voltam ao normal (não voltam.)
As pessoas não se importam com aparência tanto assim (se importam.)

Eu tenho os mesmos problemas que vocês. Sempre tive. Mas eu não quero mais fingir que não tenho só pra manter a sua cabeça no lugar. Eu ainda preciso de alguém que me ouça desabafar, mas eu sei que se alguém me ouvir, os meus 99% vão, aos poucos, se tornando 100%. E depois 110%. E depois 150%. Tudo isso em um momento da minha vida em que eu só posso dar 35%.
Mas não importa. Eu sou o amigo psicólogo. Eu só estou aqui quando você precisar. Enquanto você não precisa de mim, você pode se dirigir a qualquer um dos seus outros milhões de contatos – converse com eles! Falem sobre música, sobre jogos, sobre séries, sobre filmes, sobre outras pessoas – de repente falem sobre mim. E você pode pensar que a minha lógica é falha, mas você provavelmente faz isso também, e ainda não percebeu.

Você não quer que o seu outro amigo lentamente exija de você mais do que você pode dar. Então, você vem até mim. Me conte seus problemas, estou sempre disposto a ouvir, não estou? E quando menos perceber, eu me tornei o seu amigo psicólogo. Eu existo exclusivamente pra ouvir como você detesta a si mesmo, como detesta sua vida, como seus amigos te traíram, como ele aparenta fingir te amar porque é carente. Mas eu também me sinto assim!

Eu também detesto a mim mesmo – ao meu corpo, minha personalidade, meus hobbies;
Eu também detesto a minha vida – odeio o fato de não me encaixar com qualquer um dos usuários daquele aplicativo maldito de relacionamento que afasta mais do que aproxima;
Meus amigos também me traem – fingem me amar quando se quer me mandam uma mensagem, e depois exigem de mim um “vídeo de parabéns”. Você, em especial, me enoja. Conseguiu fazer tanto estrago na minha mente, e acha mesmo que depois de uma conversa rápida no WhatsApp eu simplesmente esqueci de todos os problemas que você me causou? É, feliz aniversário. Aproveite bem com as pessoas que talvez se importem com você. Eu não sou uma delas, e sei que o mesmo vale de você pra mim. E não sinto um pingo de tristeza em me afastar ainda mais de você(s) quando eu for embora. Eu, (in)felizmente, aprendi a identificar eu te amos vazios com aulas de um girassol murcho.
E, por fim, você também só me ama quando está carente.

Foi um texto relativamente curto, mas como eu disse, eu não tenho mais com quem falar. Porque se eu tiver, logo não terei. É irônico, não é? Eu terminei o meu último post agradecendo à todas as pessoas que faziam parte da minha vida. E hoje, sinto que se eu morresse, nenhum deles iria ao funeral. Bom, algumas das pessoas que mencionei certamente dançariam no caixão.
Thanks for reading.




Notas da Skyline:
Sinceramente, esse é um dos posts que mais me doeu ao ler (de vergonha alheia). Sei que escrevi ele num momento de muita dor e usei muito mais meu lado emocional do que lógico ao escrever boa parte das coisas aqui, mas hoje em dia discordo de praticamente tudo por conseguir olhar para trás e ver que as coisas não eram exatamente assim. Acho que isso é algo bom, né?